Zverev

Zverev Encaminha o Número 1 Mundial Apesar das Críticas

Zverev Encaminha o Número 1 Mundial Apesar das Críticas

Alexander Zverev caminha para encerrar 2026 no topo do ranking da ATP, um desfecho que parecia improvável poucos meses atrás. A confirmação veio de forma indireta: ao anunciar que não disputará mais nenhuma partida nesta temporada, Jannik Sinner praticamente selou a liderança do alemão na corrida pelo número 1. Zverev abre uma vantagem de 4.190 pontos sobre Carlos Alcaraz, seu principal perseguidor na ‘ATP Race’, diferença considerada praticamente impossível de ser revertida no tempo restante de calendário.

Um número 1 sob suspeita

A trajetória, no entanto, não é unânime entre os especialistas do tênis. Zverev acumula um retrospecto de 0 a 13 em confrontos diretos contra Alcaraz, Sinner e Novak Djokovic desde janeiro do ano passado, dado que alimenta o debate sobre se ele realmente merece ostentar o posto de melhor tenista do mundo. A ex-número 1 Kim Clijsters, em participação no podcast ‘Love All’, foi direta ao comentar o tema: mesmo reconhecendo a fragilidade do alemão diante dos principais rivais, ela defendeu que a consistência ao longo da temporada é o critério que mais pesa no ranking.

“Também não esperava isso, mas mostra que no tênis a consistência é fundamental. Não só no seu jogo, mas no seu bem-estar”, disse Clijsters, lembrando o exemplo de longevidade de Roger Federer, Rafael Nadal e do próprio Djokovic. Questionada diretamente sobre o retrospecto negativo de Zverev contra os três principais adversários, a belga foi categórica: “Não muda minha opinião. Ele foi o jogador mais consistente da temporada, com sua saúde também em dia, e por isso merece.”

A lembrança de sua própria trajetória

Clijsters recorreu à própria carreira para sustentar o argumento. Ela relembrou ter assumido a liderança do ranking em 2004, ano em que superou Lindsay Davenport em Los Angeles sem ainda ter conquistado um Grand Slam - época em que também enfrentou questionamentos da imprensa sobre se merecia o posto. “A mídia e as pessoas sempre vão encontrar algo para tentar diminuir você, mas ele foi o melhor jogador, ninguém pode negar isso”, afirmou, ao comparar a situação à de Zverev, que já soma duas conquistas de Grand Slam na carreira.

A lesão de Sinner que mudou o cenário

Por mais sólida que tenha sido a campanha de Zverev, é inegável que o caminho até o topo foi facilitado pela lesão no joelho que tirou Sinner das quadras desde Wimbledon, em julho. Na ocasião, o italiano liderava a ‘Race’ com uma vantagem superior a 1.000 pontos. Clijsters, que também conviveu com problemas no joelho durante sua carreira, especulou sobre a natureza do quadro físico do rival de Zverev. “Não estou surpresa que ele tenha encerrado a temporada mais cedo. Acho que ele estava tentando ver até onde conseguiria ir, testando a condição aqui e ali, até perceber que não estava evoluindo no ritmo que gostaria”, disse.

A ex-tenista lembrou que, em sua própria experiência com lesão no menisco, enfrentou também contusões ósseas associadas, um incômodo que durou um bom período. “É uma pena ver um jogador como o Jannik fora do fim de temporada, mas ele precisa cuidar de si mesmo e estar pronto para o próximo ano”, completou.

O que vem pela frente

A expectativa é que Sinner retorne às quadras no Aberto da Austrália de 2027, torneio que já conquistou em 2024 e 2025 e que tem início previsto para 17 de janeiro. Até lá, Zverev deve confirmar o fechamento do ano como número 1 do mundo, um feito que, independentemente das discussões sobre confrontos diretos, reforça o peso da regularidade ao longo de toda a temporada no sistema de pontuação da ATP.