A derrota de Carlos Alcaraz para Zizou Bergs na terceira rodada do Masters de Xangai acendeu um alerta entre os analistas do circuito. A ex-tenista e comentarista Rennae Stubbs apontou que o espanhol precisa revisar sua técnica de saque antes do início da temporada de 2027 da ATP, sugerindo que mudanças recentes no movimento podem estar sobrecarregando seu pulso e tirando potência de um dos fundamentos do seu jogo.
Uma queda inesperada em Xangai
Alcaraz foi superado por Bergs em dois sets, em um confronto de 2 horas e 2 minutos que marcou seu pior resultado na temporada 2026 da ATP. O número 3 do mundo demonstrou frustração em quadra, trocando reclamações constantes com sua equipe técnica ao longo da partida. Foi o primeiro revés do espanhol desde a eliminação nas quartas de final do US Open, quando caiu diante de Ben Shelton após cinco sets disputados ponto a ponto.
A hipótese de Stubbs sobre o pulso e a técnica
Para Rennae Stubbs, o problema pode estar na forma como Alcaraz vem executando o saque. "Acho que um dos motivos pelos quais Alcaraz teve problemas no pulso foi a mudança em sua técnica de saque, usando uma técnica com o pulso relaxado e flexionado, semelhante à de Novak Djokovic", disse a comentarista no podcast The Rennae Stubbs Tennis Podcast. Ela foi além, reconhecendo a margem de incerteza da sua análise: "Não posso afirmar com 100% de certeza, mas acredito que esses pequenos ajustes colocam mais pressão no pulso dele. Então, ele pode continuar a ter dificuldades. Mencionei isso no US Open, quando notei que o saque do Alcaraz não estava tão explosivo quanto antes."
Segundo a ex-treinadora de Serena Williams, o período de pausa antes da próxima temporada seria o momento ideal para o espanhol reequilibrar o movimento, especialmente pensando em quadras rápidas - superfície em que o saque costuma pesar mais na balança das partidas decisivas contra rivais como Jannik Sinner.
O que dizem os números
As estatísticas das últimas 52 semanas reforçam a preocupação. Apesar de aparecer bem colocado em alguns indicadores, Alcaraz não figura entre os cinco melhores da ATP em nenhuma métrica ofensiva de saque - um dado notável para um jogador do seu nível.
- Índice geral de saque: 285,0 (15º lugar)
- Taxa de sucesso do primeiro saque: 66,8% (13º lugar)
- Percentual de vitórias com o primeiro saque: 72,7% (43º lugar)
- Taxa de sucesso no segundo saque: 55,8% (6º lugar)
- Percentual de vitórias em jogos de saque: 87,6% (8º lugar)
- Média de aces por partida: 4,5 (66º lugar)
- Média de duplas faltas por partida: 2,4 (49º lugar)
Agenda aberta até Paris e Turim
No calendário, Alcaraz havia planejado evitar torneios ATP antes do Masters de Paris, mas acabou se inscrevendo no Aberto de Viena depois que o Six Kings Slam, evento de exibição na Arábia Saudita, foi adiado para dezembro por motivos de segurança. Na edição de 2026 do torneio em Riade, ele disputará vaga ao lado de Alexander Zverev, Novak Djokovic, Alex de Minaur, Taylor Fritz e Learner Tien, em um evento que segue atraindo grande atenção pela premiação milionária distribuída entre os participantes.
"Estou muito animado por estar de volta a Riade para o Grande Slam dos Seis Reis. O ambiente é sempre fantástico e é uma honra fazer parte deste evento especial ao lado dos melhores jogadores do mundo", declarou Alcaraz. Depois de perder as finais de 2024 e 2025 para Sinner, o espanhol chega como um dos favoritos este ano, cenário facilitado pela lesão do italiano. Zverev, por sua vez, também demonstra confiança após fechar 2026 como número um do mundo.
O próximo grande teste, no entanto, será o Masters de Paris, torneio em que Alcaraz historicamente não rendeu bem - caiu para Cameron Norrie logo na estreia no ano passado e mantém apenas 50% de aproveitamento na competição ao longo da carreira. Resta saber se eventuais ajustes no saque chegarão a tempo de mudar esse retrospecto antes de o espanhol mirar uma vaga de destaque no ATP Finals, em Turim, diante dos oito melhores da temporada.