José Mourinho, hoje técnico do Fenerbahçe, afirmou neste sábado (17) que, se estivesse na pele de Vinícius Júnior, provavelmente já teria deixado o Real Madrid no último verão europeu. A declaração chega em um momento delicado para o atacante brasileiro, suspenso por quatro partidas após puxar o cabelo de um adversário e confrontar o árbitro na derrota diante do Villarreal.
Uma defesa pública em meio à crise
Vinícius, de 26 anos, vive há dois anos a busca por recuperar o nível que o consagrou como um dos melhores atacantes do mundo. O período coincide com vaias recorrentes da própria torcida madridista em momentos de instabilidade, além de episódios de zombaria e insultos racistas em diferentes estádios da Espanha e da Europa. O temperamento forte do jogador, somado a essa pressão, tem resultado em advertências frequentes dos árbitros - o mais recente episódio, contra o Villarreal, terminou em expulsão e gerou a punição de quatro jogos: dois pelo puxão de cabelo e mais dois pela conduta hostil com o juiz.
Foi nesse contexto que Mourinho, que comandou o Real Madrid entre 2010 e 2013, decidiu se posicionar. "O Vini é um cara fantástico, tenho muito carinho por ele. Valorizo muito o fato de ele conseguir viver e sobreviver a esse ambiente com um sorriso. Eu, se estivesse no lugar dele, provavelmente já não continuaria aqui", disse o treinador português em entrevista coletiva antes do duelo do Fenerbahçe pela liga turca.
"Por amor ao Real Madrid, ele renovou"
Mourinho foi além e sugeriu que, em seu lugar, teria buscado uma saída do clube merengue rumo a um ambiente menos hostil. "No verão passado, provavelmente teria forçado uma saída para uma competição, um país, um núcleo de clubes e estádios onde os rivais o respeitassem. Mas, por amor ao Real Madrid, e com a fé de que as coisas sempre podem melhorar, ele renovou", completou.
A fala resgata um capítulo recente do mercado europeu: segundo a imprensa espanhola, Vinícius chegou a ser sondado pelo Arsenal, atual campeão inglês, mas optou por permanecer em Madri, onde renovou contrato até 2032 em condições milionárias. A decisão de ficar reforça o vínculo do brasileiro com o clube, mesmo em meio às turbulências esportivas e extracampo.
Tensão institucional com a LaLiga
Questionado sobre a crise entre o Real Madrid e o presidente da LaLiga, Javier Tebas, Mourinho também não poupou críticas. O clube pediu a renúncia do dirigente na sexta-feira, depois que ele comparou os métodos da Real Madrid TV aos do ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels. Para o treinador, a comparação ultrapassou limites aceitáveis. "Entramos em um terreno em que acredito que as únicas desculpas válidas são se estamos falando de um caso clínico. Se não, não há nenhuma justificação nem nenhuma desculpa", declarou.
O episódio se soma a um momento de pressão crescente para o Real Madrid dentro de campo. Atualmente na quarta posição de LaLiga, a seis pontos do líder invicto Barcelona, o time volta a jogar no domingo diante do Sevilla, no Santiago Bernabéu, em busca de manter viva a disputa pelo título antes do Clássico da próxima rodada - um compromisso que ganha ainda mais peso diante do desgaste causado pela ausência de Vinícius Júnior nas próximas semanas.